A democracia se fortalece quando as diferenças são debatidas com argumentos, respeito e responsabilidade. O processo eleitoral existe para que a sociedade conheça propostas, compare projetos e avalie a capacidade de quem pretende exercer cargos públicos. Quando o debate abandona as ideias para explorar características pessoais, a democracia perde e o preconceito ganha espaço.
A liberdade de imprensa é um dos pilares do Estado Democrático de Direito e deve ser preservada com firmeza. Da mesma forma, a liberdade religiosa, a dignidade da pessoa humana e a igualdade perante a lei são garantias constitucionais que não podem ser relativizadas conforme a conveniência do momento político.
Não é papel do jornalismo reduzir pessoas à sua fé, à sua orientação sexual, à sua identidade ou a qualquer aspecto de sua vida privada quando isso não guarda relação legítima com o interesse público. A missão da imprensa é informar, fiscalizar o poder e estimular um debate qualificado, e não alimentar estereótipos ou preconceitos.
A crítica política é legítima. Questionar decisões de governo, promessas de campanha, alianças partidárias ou posicionamentos públicos faz parte da democracia. Entretanto, quando a discussão deixa de analisar propostas e passa a utilizar convicções religiosas ou características pessoais como instrumento de desqualificação, ultrapassa-se a linha do debate democrático e entra-se no campo da intolerância.
Como representantes de uma comunidade de tradição cristã e evangélica, reafirmamos que defendemos o respeito à liberdade religiosa de todos os brasileiros, independentemente da fé que professam. Da mesma forma, defendemos que toda pessoa seja tratada com dignidade e respeito, sem ataques baseados em sua condição pessoal.
Nossa preocupação não está em impedir críticas a qualquer autoridade pública. Pelo contrário, entendemos que governantes e candidatos devem estar sujeitos ao escrutínio da sociedade e da imprensa. O que rejeitamos é a substituição do debate de ideias por discursos que estimulam a divisão, a intolerância ou o preconceito.
O Brasil precisa de um ambiente político em que as divergências sejam enfrentadas com argumentos, dados e propostas. A população merece conhecer planos de governo, prioridades para a saúde, educação, segurança, desenvolvimento econômico e combate às desigualdades. É isso que enriquece a democracia.
Em tempos de polarização, é fundamental recordar que direitos fundamentais não pertencem apenas a quem concorda conosco. A liberdade de imprensa, a liberdade religiosa, a liberdade de expressão e a dignidade da pessoa humana caminham juntas e devem ser igualmente protegidas.
Que o debate eleitoral no Acre seja marcado pela responsabilidade, pela verdade e pelo respeito. A democracia não precisa de preconceito para sobreviver; precisa de coragem para defender princípios, mesmo diante das diferenças.
Respeitar pessoas não significa abrir mão do debate político. Significa apenas reconhecer que nenhuma democracia se fortalece quando o preconceito ocupa o lugar dos argumentos.